Percepção dos estudantes de medicina sobre a espiritualidade e religiosidade na prática clínica: uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.24302/rmedunc.v5.6276Palavras-chave:
espiritualidade, educação médica, estudantes de medicina, assistência centrada no paciente, humanização da assistência, comunicação em saúdeResumo
Introdução: A espiritualidade e a religiosidade têm ganhado espaço crescente na área da saúde, especialmente por influenciarem o bem-estar, a humanização do cuidado e a relação médico-paciente. Apesar disso, ainda é pouco clara a forma como essas dimensões são compreendidas e abordadas pelos estudantes de Medicina ao longo da formação acadêmica, o que evidencia a necessidade de investigar suas percepções sobre o tema. Objetivo: Analisar como estudantes de Medicina percebem a espiritualidade e a religiosidade na prática clínica, identificando benefícios, barreiras e o modo como tais temas são contemplados nos currículos médicos. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMED, LILACS e SciELO, incluindo artigos publicados até agosto de 2025, sem restrição de idioma ou país. Foram identificados 2924 registros, dos quais 2784 foram triados por título e resumo. Após leitura completa de 38 artigos, 22 atenderam aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final. A seleção e organização dos estudos seguiram as recomendações PRISMA, com apoio da plataforma Rayyan. Resultados e discussão: A análise dos estudos mostrou que a maioria dos estudantes reconhece a espiritualidade e religiosidade como dimensões essenciais para a prática clínica, associando-as à humanização, ao fortalecimento do vínculo médico-paciente, ao enfrentamento da doença e ao bem-estar integral. No entanto, apesar dessa valorização, há evidente falta de preparo para abordar o tema, marcada pela ausência de conteúdos estruturados nos currículos, pouca capacitação docente e escassez de vivências práticas. Entre as barreiras mais citadas estão o receio de impor crenças pessoais, a falta de tempo na consulta, a dificuldade de diferenciar espiritualidade de religiosidade e a falta de modelos de anamnese espiritual. Os estudos que incluíram disciplinas eletivas, sessões práticas e métodos estruturados, como o modelo FICA, mostraram melhora na confiança, empatia e habilidade dos estudantes, sugerindo impacto positivo quando o tema é trabalhado de forma sistematizada. Conclusão: Os estudantes de Medicina demonstram alto reconhecimento da importância da espiritualidade e da religiosidade no cuidado clínico, porém apresentam baixo preparo para aplicá-las na prática devido à falta de ensino estruturado. Os achados reforçam a necessidade de incorporar conteúdos teóricos e vivenciais sobre espiritualidade nos currículos médicos, capacitar docentes e criar espaços de reflexão e prática. Integrar essa dimensão ao ensino contribui para formar profissionais mais sensíveis, humanizados e alinhados ao modelo biopsicossocial e espiritual.
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